terça-feira, 19 de abril de 2011

Escondo-me nos extremos
do que não sou
Salto alto,
Bota de combate
Onde é que estou?

Falta-me a coerência
Uma tonalidade intermédia
O meu forte não é a paciência

O cinzento não existe para mim
Branco ou preto,  não ou sim?

Quero tudo para hoje
Sei lá se o amanhã surge

Ontem é pretérito imperfeito
O amanhã tem de ser bem feito
O meu eu será refeito
Não levarei tão a peito
A vida, o desencontro, o não amor

Tic Tac Tic Tac Tic Tac

Passa tudo tão depressa
Condensa-te tempo
Ora essa!
Ele não me dá ouvidos e continua  a correr

Perdi-me mais uma vez
Ouvi quem não devia
Alguém-ninguém a cabeça me fez
Desencontrei-me outra vez, um mês, um ano, um dia

Voltei a meditar
Mas que raio se está a passar?
Sou toda a gente
Menos quem eu queria

Agarro-me aos antigos livros
A páginas escritas
Fotografias sentidas

Isto sou eu

Pensamentos, opiniões
Pontos de vista, situações
Prismas, imagens, erudições

Leio, escrevo, capto
Sou

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