quinta-feira, 26 de maio de 2011

Origens


Há fotos que nos fazem relembrar momentos, histórias, lugares, pessoas.
Gosto particularmente desta foto.
Faz-me pensar no quanto gosto de voltar a casa. As texturas, cheiros, sons. Tudo aquilo de que não abdico.
É um borrego, sim. Porque é que uma foto de um borrego é determinante e me prende tanto a atenção?
Porque acompanhei o desenvolvimento dele, desde o nascimento até agora. Tal como acompanhei desde que me lembro o desenvolvimento dos meus animais, das árvores, plantações. O prazer de comer a fruta logo que a colho...
Esta simples imagem leva-me para o lugar exacto de onde eu sei que sou. Nem sempre o soube com toda a certeza que sei hoje.
Privilegio cada vez mais os prazeres simples do campo. Não consigo explicar a dimensão do sentimento e ligação.
O simples facto de saber de onde vem o que como. Não vou ser hipócrita e afirmar que este borrego é um animal de estimação, não é. Foi criado com o intuito de ser comido. Sei o que implica ter carne no prato para comer. A comida não vem de latas, embalagens ou mesmo do talho. Tem um contexto anterior e sei que é preciso sacrificar um animal para esse efeito. Aprendi a respeitar.
Os convívios em família, a partilha... Advém de todas as relações e conhecimentos que têm passado de geração em geração.
Por muito que tudo mude, o meu porto de abrigo é o sítio que invariavelmente chamo casa e as pessoas que me acolhem com toda a alegria cada vez que regresso.

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